Cores e dores e amores

17 10 2010

Cercada de vidas vazias
de sonhos acordados
penso se meu riso terá fim
quando a música parar de tocar
haverá dança em mim?
Eu, que danço no tempo, no vento, no espaço
que danço em teu abraço…
Vejo nos olhos daqueles que um dia voaram
o semblante da queda.
O cansaço do dia da vida vazia.
Tantas dores cercando os corpos
tantas cores anunciando mortos…
E a vida insiste, com novos amores e novas cores…
Que se espalham pelos cantos, que espalham prantos…
Que vem e vão mas nunca se cansam… Que como borboletas dançam… Quando saem do casulo e aprendem a voar…
Porque isso é a vida, voar e se apaixonar… cair e levantar…
Mas sempre voar…

M.





Indo…

29 09 2010

“Na onda clara, estrada afora
O meu destino é agora
Aonde me levar a minha voz, eu vou…”

(Marisa Monte)

E eu vivendo a urgência de meus dias encantados…

M.





Caio

24 09 2010

Quando faltam as palavras, caio.
A sensação da queda sempre volta, sempre caio.
Durante a queda me lanço, braços abertos…

Se minhas palavras não chegam, Caio:

“Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram (…) ” (Caio F. Abreu)





Poemas rupestres

13 09 2010


Por viver muitos anos dentro do mato
Moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro –
Contraiu visão Fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas
Por igual
Como os pássaros enxergam.
As coisas todas inonimadas.
Água não era ainda a palavra água.
Pedra não era ainda a palavra pedra.
E tal.
As palavras eram livres de gramática e
Podiam ficar em qualquer posição.
Por forma que o menino podia inaugurar.
Podia dar às pedras costumes de flor.
Podia dar ao canto formato de sol.
E, se quisesse caber em uma abelha, era
só abrir a palavra abelha e entrar dentro
dela.
Como se fosse a infância da língua.

(Manoel de Barros)





Todo começo também é um fim…

11 09 2010

… e todo fim é um recomeço…

(Alessandra Leão)





30 08 2010

Eu não sei se foi você que meu deu essa poesia,
e esse riso, mas deve ter sido…
Que mesmo que tenha ido, eu vivo…
E o riso, o teu, que me deu, ri em mim a cada lembrança…
Do teu passo, abraço, cada pedaço…
do riso que você me deu…





Modificar a tarde…

28 08 2010

“O menino era ligado em despropósitos. quis montar os alicerces de uma casa sobre o orvalho (…) viu que podia fazer peraltagens com as palavras (…) Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela. O menino fazia prodígios. Até fez uma pedra virar flor”. (Manoel de Barros)